segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Caranguejo não é peixe, caranguejo peixe é?


Não, não temos dúvidas de que caranguejo não é peixe e sim um crustáceo. Mas esses tempos andamos às voltas com esta cantiga assim: “Ricota não é queijo, ricota queijo é?”

Tudo começou com um amigo dizendo que achava o “fim da picada” chamar de “4 queijos” uma pizza recheada com mussarela, parmesão, gorgonzola e... ricota! Ora, não são então 4, mas só 3 queijos?

3 ou 4, para que não restem dúvidas, existem os PIQ´s (padrões de identidade e qualidade) dos alimentos. Esses são os seus cabais definidores, para todos os fins de uma comunicação precisa.

O queijo é, segundo a definição oficial do Brasil, o produto fresco ou maturado que se obtém por separação parcial do soro do leite reconstituído (...), ou de soros lácteos, coagulados pela ação física (...), todos de qualidade apta para uso alimentar, com ou sem agregação de substâncias alimentícias e/ou especiarias e/ou condimentos, etc.

Sem complicar muito, a ricota é produzida por meio da floculação do soro de leite a quente e em meio ácido. Muito bem, estamos diante de uma espécie de queijo!

Agora pode pedir tranqüilo! São 4 queijos sim.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Grãos germinados -

Grãos germinados , O processo de germinação torna os nutrientes mais
digeríveis e alguns nutrientes multiplicam-se. É o caso da vitamina C,
que é praticamente inexistente no grão de trigo, mas que, uma vez
germinado, aumenta seiscentos por cento o seu teor.  Os grãos
germinados são pobres em calorias, mas contêm quantidades apreciáveis
de vitaminas A e C, vitaminas do complexo B, vitamina E, algum ferro e
enzimas e proteínas.

Castanha do Pará (ops, Brasil)

também chamada de castanha do Brasil é uma árvore
que pode atingir 55 metros de altura e viver cerca de 600 anos. è
cultivada de forma sustentável e é uma fonte de renda imprescindível
para a população ribeirinha da bacia do amazonas. Apenas uma noz é
suficiente para suprir as necessidades diárias de Selênio no organismo
humano. Estudos recentes mostram que o mineral previne câncer,
cardiopatias, reduz a toxidade de metais pesados e age no combate aos
radicais livres.

Behhhh- Cabrito

É a carne mais light de todas com menor teor calórico e
menos gordura e colesterol que as carnes de frango, peru, porco, vaca
ou peixe. Além disso é muito macia, suculenta e saborosa.

Linhaça

É um alimento funcional, capaz de prevenir o câncer de mama,
cólon e próstata. Já foi utilizado para curar ferimentos ou no
processo de mumificação no antigo Egito. É a maior fonte de omega-3
encontrada na natureza, no entanto para que esta gordura seja
aproveitada deve ser extraída do grão deixando-o de molho antes do
consumo. O grão inteiro passa incólome pelo intestino humano, tendo
apenas o efeito de fibra alimentar.

Funcionais

Alimentos funcionais são aqueles que podem diminuir o risco de algumas
doenças pois seu uso contínuo pode proporcionar aumento da defesa
orgânica e redução do ritmo de envelhecimento celular

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Orgânicos....

Alimentos orgânicos são produzidos respeitando o meio ambiente, a
partir de um solo puro, saudável e rico, por isso são alimentos mais
nutritivos e sem elementos tóxicos.

Curiosidades - Quinua

Grão de origem andina, foi considerado pela ONU como o alimento mais completo de todos, é uma fonte de proteína de excelente qualidade, possuindo até os aminoácidos que são típicos da proteína animal. Esbanja ômega 3 e 6, gorduras do bem que impedem a deposição de gorduras maléficas nas artérias.
Possuem uma elevada quantidade de carboidratos e fibras controlando a liberação de glicose, impedindo o sobe-e-desce do açúcar no sangue que dá fome rapidinho. Possuem várias vitaminas (tiamina, riboflavina, niacina e vitamina E) e minerais (magnésio, potássio, zinco e manganês) e a ausência de glúten (ótima notícia para quem tem alergia a esse elemento).

sábado, 20 de outubro de 2007




Bio Fach - Sustentabilidade sustentável?

Essa semana tivemos a BioFach - feira de orgânicos no Transamérica. Estava pequena, representada por meia dúzias de players gigantes de olho num futuro distante, marcando presença com pequenas iniciativas, pequenas apostas, insignificantes frente ao negócio como um todo(vai que a moda pega) e mais outra meia dúzia de pequenos, evidentemente sem fôlego para esperar a moda pegar.
Voltei filosófica, a questão é que orgânicos são mais caros, mas será que valem mais? Segundo os mestres , todo valor é gerado pelo trabalho humano, mas só tem valor aquele trabalho absolutamente necessário para a produção dos bens, aquilo que é feito de forma ineficiente não vale mais por isso (isso é Marx, voltei filosófica mesmo!). Muitas vezes o produto orgânico é idêntico ao convencional, mas é sempre mais caro. Acho que Marx acharia ridículo essa coisa de sustentabilidade.
Por outro lado, ninguém gosta de pagar a conta daquilo que não usou e não foi responsável. Supondo que o consumo de alfaces com agrotóxico é responsável pela contaminação do lençol freático que por sua vez precisa de um tratamento caríssimo para fornecer água potável. Quem tem que pagar por esse tratamento é o comedor de alface ou o bebedor de água?
Eu quero que o comedor de alface pague! Mas isso implicaria que o valor do alface fosse o valor do trabalho utilizado na sua produção somado com uma "indenização" pelos danos ao meio ambiente. Como minha mãe ensinou que não sujar dá menos trabalho que limpar depois, acredito que os dois alfaces seriam mais caros que atualmente, mas dentre eles o orgânico seria mais barato. Marx diria que o modo de produção orgânica é mais eficiente e seríamos felizes para sempre.
O problema é saber se temos organização social suficiente para superar Adam Smith, para calcular o valor exato da "indenização" necessária em cada bem, para reavaliar o valor de todas as coisas existentes nesse mundo. Complicado! não? Engraçado é que se algo assim acontecesse, veríamos as previsões Marxistas mais pessimistas serem desacreditadas exatamente pela exacerbação do capitalismo, pela monetarização de cada partícula de sujeira lançada ao ar. Tudo precisa ter um preço!

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Fome Zero - Ma Che Fome?


Essa semana estava lendo um relatório de avaliação do estado nutricional do brasileiro, um estudo muito completo. Bonito de se ver.
O resumo é que no Brasil inteiro, inclusive nas regiões Norte e Nordeste, o percentual de pessoas abaixo do peso ideal é similar aos padrões indicados pela OMS como característicos de países desenvolvidos. Em algumas regiões o problema do baixo peso é mais grave no grupo com renda acima de 5 sal. mínimos que com renda abaixo de 0,5 salários mínimos.
Já o sobrepeso é um problema bem sério, atinge quase metade da população. A pesquisa indica o que todos já sabemos. Come-se açúcar demais, come-se gorduras demais. Quando o assunto é gordura saturada então...
Fora isso o relatório é um pouco curioso, porque quem lê fica com a impressão que o brasileiro é muito bem alimentado, só padece com a superalimentação. Entretanto basta conversar com uma nutricionista, um nutrólogo ou qualquer profissional da área de saúde que veremos que a realidade não é bem assim. O estudo investiga somente a ingestão de macro nutrientes, mas tem dúzias de doenças relacionadas com a alimentação, com incidências cada ano maiores, cujas causas ficam invisíveis no relatório.
É meio triste ver que o governo fez o auê que fez, (Lembra do fome zero?) em torno de um problema que não existia, depois promoveu uma linda pesquisa para provar que o problema não existe mesmo, enquanto isso... Cada dia a verba para o setor de saúde fica mais insuficiente para consertar aquilo que poderia ser consertado simplesmente com a promoção de uma alimentação mais saudável pra todos.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

DROGA, DROGA, DROGA! NÃO SOU SPAMER!!!

Há dois meses, o yahoo colocou a gente na lista de spamers e o resultado foi que não posso nem responder a e-mails de clientes que usem o serviço do yahoo.
Fiquei muito triste porque EU ODEIO SPAM, e sempre tomei todos os cuidados para não ser chata. Só de pensar que eu estou sendo vista como uma spamer dá vontade de parar de escrever. Todo meu entusiasmo com o blog foi embora...
Mas assim é a vida e aqui estou eu novamente. Não dá pra desistir assim tão fácil, né!
Vou tentar fazer diferente, escrever com mais frequência e não postar vários textos ao mesmo tempo. Quanto ao news... Talvez ele tenha mesmo morrido. Talvez eu ache outro jeito. Sei lá.
Só sei que NÃO QUERO SER SPAMER!

Profissionais da comida

Muita gente ganha a vida fazendo comida para outros comerem, mas isto pode ser feito sob enfoques bem diferentes. São pelo menos três grandes grupos de profissionais: os de nutrição, de gastronomia e de por último tem um time meio desconhecido, o da engenharia de alimentos.
Os profissionais de nutrição sempre pensam em primeiro lugar nos efeitos da comida a longo prazo, ou seja, na saúde de quem come. A gastronomia é imediatista, dedica-se ao prazer de comer.
O terceiro time existe para fazer a comida durar. Saudável ou saborosa, isso depende de especificações que estão fora de nossa área principal de atuação, nossa especialidade é conseguir que o alimento seja como deve ser até o momento do consumo.
Poucos são os profissionais das duas áreas que conhecem o suficiente da outra para oferecerem aquilo que todo mundo precisa: comida saborosa e saudável.
Estes três grupos consumam estabelecer prioridades completamente diferentes, nem sempre nosso relacionamento é fácil...

terça-feira, 31 de julho de 2007

Um mar de PET

Quem já viu um rio, lago ou córrego enfeitado com um cobertor de garrafas PET ficaria surpreso com a simplicidade com que parte do problema foi resolvido na Alemanha.

Pensou que era só um saquinho?

Já comprou verduras lavadas, dentro de um saquinho plástico? Super prático! Só retirar, temperar ou aprontar como quiser e comer. Duram bem uns cinco dias na geladeira, enquanto isso uma verdura lavada e picada em casa não aguenta nem um dia. A diferença está nos saquinhos.
Alguns deles são feitos de filmes que permitem embalagem com atmosfera controlada. (o filme regula a velocidade com que o vapor e os gases atmosféricos entrarão e sairão de dentro do pacote fechado)
Outros são específicos para atmosfera modificada.(CO2, N2 e O2 são colocados no pacote em proporções diferentes das atmosféricas. O filme tem de ser capaz de manter a proporção inicial colocada)
E ainda tem as embalagens ativas, estas vão absorvendo ou liberando gases de acordo com o passar do tempo.

E dai?

Daí que a composição do ar em torno da verdura determina sua taxa de respiração. Se respira mais devagar, envelhece mais devagar também. Simples, não é?

Nitrogênio -

Quase metade de nossa atmosfera é composta de nitrogênio, nosso organismo esta acostumadíssimo com sua presença. Sabe o que ele faz? Nada.
O nitrogênio só se torna perigoso para os mergulhadores, em altas profundidades, porque o peso da água sobre o ar faz com que ele se comprima. Se este ar contendo nitrogênio estiver dentro do pulmão do mergulhador e ele resolver subir para superfície o nitrogênio ira aumentar de volume conforme a camada de água sobre ele for diminuindo. Neste caso o nitrogênio pode aumentar tão depressa de volume que pode explodir o pulmão ou formar bolhas de gás na corrente sanguínea.
Voltando os alimentos, o nitrogênio serve para muitos usos, exatamente por não fazer nada. Muito ajuda quem não atrapalha!
Sabe sanduíche natural, alguns são simplesmente enrolados em um filme plástico e costumam estragar de um dia para outro, mesmo na geladeira. Veja o desperdício, depois de tudo prontinho... Lixo.
Mas existem alguns que tem uma embalagem de filme grosso, impermeável a gases atmosféricos e duram muito mais. O segredo: Nitrogênio. Eles são colocados em saquinhos cheios de nitrogênio, sem oxigênio. Só por isso duram muito mais, de forma natural, saudável.

Tetra-Pak Em compensação...

A embalagem de caixinha é até que bem econômica, usa pouca matéria prima. Apesar disso não é muito conveniente do ponto de vista ambiental porque é muito difícil de reciclar e quase não se degrada sozinha. Parcelas de papel, plástico e alumínio são misturadas para formar a caixinha e depois fica complicado separar estes componentes.
O fabricante sabe disso e trabalha muito para desenvolver métodos de reuso para as embalagens, mas normalmente as soluções são bastante caras e não são realmente efetivas. Atualmente, no Brasil, segundo o fabricante, só uns 20% da embalagem produzida é reciclada.

Tetra-Pak Um pequeno milagre

Adoro essa embalagem de caixinha. Ela é capaz de fazer o tempo andar mais devagar, pelo menos para o alimento que esta dentro dela. E isso sem nenhum aditivo, ou estratagema artificial. Nem parece possível, mas é. E funciona de uma forma extremamente simples:

A embalagem isola o alimento e impede qualquer ataque externo que cause sua deterioração.
A embalagem não deixa espaço para oxigênio, o alimento tem de “respirar” muito mais devagar

Pronto, agora o alimento é deixado a própria sorte... e ele envelhece e estraga em uma velocidade muito, muito baixa.
Só isso, e funciona! Naturalmente.
Logicamente a embalagem não melhora o que foi colocado dentro dela por isso antes de entrar na embalagem o alimento necessariamente é pasteurizado ou esterilizado para impedir ataque de microorganismos que já estejam presentes. Pasteurização e esterilização são métodos físicos que consistem unicamente na aplicação moderada de calor e são bastante seguros. Apesar disso, a embalagem realmente não melhora o que foi colocado dentro dela e temos que ter cuidado com os aditivos e contaminantes presentes pelas mais diversas razões.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

A polêmica do Aspartame

Recebi, pela enésima vez, por e-mail, um texto 'assinado' por uma suposta cientista estadunidense - cuja origem acadêmica sequer é citada - alarmando euforicamente a população contra os 'males do aspartame'.

Uma rápida busca pela internet vai revelar que este não é um nome conhecido ou listado nas sociedades técnico-científicas ou pior, esconde o(a) real autor(a). Seja como for, pseudônimos, heterônimos, fakes e nicknames no meio científico, são em verdade, e para todos os efeitos, casos de estelionato. Indignos, portanto, de crédito.

Mas como muito pouca importância se dão às fontes, muita gente ficou impressionada com o texto que atribui exclusivamente ao aspartame uma lista enorme de doenças. Difícil é saber o que ficou de fora.

É certo que para todo aditivo alimentar são feitos testes toxicológicos rigorosos que, em si, podem não ser suficientes à previsão de todos os efeitos possíveis. Porém, atribuir epidemias a uma única substância, sem considerar os demais hábitos de uma população é ainda mais temerário.

Por exemplo, um dos resultados desses estudos toxicológicos é o estabelecimento de doses seguras de ingestão. Desses estudos resultam classificações como a GRAS (Generally Recognized as Safe) e também as IDA´s (Ingestão Diária Aceitável).

Os aditivos alimentares - quando não forem GRAS - têm seu uso legalmente limitado a uma determinada porcentagem do produto alimentar. Tais limites são estabelecidos pelos órgãos de saúde tendo em vista uma expectativa razoável de consumo diário por um 'indivíduo médio' (considerada a média de peso corpóreo da população).

Agora você imagine que uma determinada população deixou de tomar água para tomar somente... refrigerantes dietéticos! Além de uma enorme quantidade de outros alimentos todos contendo quantidades pequeníssimas e limitadas da substância em questão. É por isso que qualquer pessoa sábia sempre recomenda... MODERAÇÃO!

De qualquer modo, e se persistir a dúvida ou para conhecer os limites de uso do aspartame, a Anvisa publicou informe técnico colocando um ponto-e-vírgula na polêmica. Por que não ponto final? Porque, em matéria de ciência, toxicologia e saúde humana, não há pontos finais.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Lao Tsé

“Quando as pessoas perdem de vista seus modos de vida, surgem os códigos de amor e honestidade.”

Cheesecake com Frutas Vermelhas


Nossa receita de Cheesecake com Frutas Vermelhas, light e sem adição de açúcar, que também está saindo na Revista
“Receitas Light” da Editora Alto Astral e no programa de Versátil & Atual da Rede Família de Televisão.


Massa
1,5 xíc (chá) de farinha de trigo
1 fatia de ricota fresca (aprox. 90g)
3 colheres (sopa) de Castanha do Brasil* moída
3 colheres (sopa) de óleo de canola
1 ovo
adoçante a gosto**

Misturar tudo e amassar bem. Deixar descansar por 30 minutos na geladeira. Abrir a massa e assar em uma forma redonda para tortas untada.

Creme

½ xícara (chá) de leite desnatado
3 colheres (sopa) de leite em pó desnatado
4 colheres (sopa) de creme de arroz
1 pacote de gelatina em pó sem sabor
1,5 potes (200g cada) de iogurte natural desnatado
1 pote (150 g) de cream cheese***
raspas de limão e de laranja
adoçante a gosto**

Bata no liquidificador o leite, o leite em pó e o creme de arroz.
Leve ao fogo até engrossar.
Hidrate a gelatina com um pouco de água fervente e acrescente ao mingau.
Junte o iogurte e leve à geladeira.
Bata o cream cheese na batedeira até dobrar de volume.
Misture delicadamente as raspas, o adoçante e o creme de iogurte já gelado e coloque sobre a massa de torta já assada.

Cobertura:
2 xícaras (chá) de morangos frescos
1 xícara (chá) de amoras
¼ xícara (chá) de conhaque sem açúcar**** ou rum
1 colher (sobremesa) de creme de arroz
1 colher (sopa) de suco de limão
adoçante a gosto**

Leve as frutas ao fogo baixo e, após cozidas, acrescente os demais ingredientes todos misturados.
Mantenha no fogo até engrossar, deixe esfriar e cubra o Cheesecake.

*Castanha do Brasil, também conhecida como Castanha do Pará, é rica em selênio, um mineral essencial na produção de hormônios e enzimas.
**Qualquer adoçante do seu gosto, não precisa ser culinário nem do tipo "use como açúcar", se puder, evite os baseados em aspartame para os preparos que vão ao fogo ou ao forno.
***O cream cheese não precisa ser light, afinal, é ele quem dará o sabor de queijo ao doce.
****Difícil achar conhaque sem açúcar adicionado, mas assim são os melhores. Uma opção é o conhaque Macieira.

Não podemos deixar de falar das suas propriedades nutricionais:

1) Olha só para a massa: muito pouca gordura e nem cheiro de gordura trans, figurinha tarimbada em tudo que é Cheesecake por aí. E além disso, quem é que já se preocupou com o selênio de uma base de tortas? hein?

2) Recheio light em quase tudo. Por isso você não precisa gastar mais dinheiro pra comprar o cream cheese light. Essa receita foi cuidadosamente calibrada para um teor reduzido de gorduras totais.

3) A calda de frutas: quase só frutas, fresquinhas e cheirosas. Ficam meio inteiras, brilhantes, bonitas. Ainda que tivesse muitas calorias, nem ia dar pra pensar nelas nessa hora.

Muito trabalho? Não dá tempo de fazer? http://www.clarisalimentos.com.br/

De grão em grão a galinha estoura o papo


Conversar com qualquer pessoa ligada à ciência da alimentação e saúde pode ser aterrador: praticamente não existem alimentos que não ofereçam algum risco, que não contenha composto nocivo à saúde, mesmo entre os alimentos in natura. Porém, cada um destes riscos, quando considerado isoladamente, é muito pequeno e, na maioria das vezes, diluído no longo prazo.

É por isso que os orgãos oficiais, a indústria, a ciência, enfim a sociedade, convive com suspeitas de toxicidade e com dezenas de ameças como a relacionada ao aspartame ou à alta contaminação dos pés de alface. É simplesmente impossível enfrentar todos os potenciais problemas sem matar metade do mundo de fome e a outra metade de falta de trabalho.

Mas então, esse negócio de alimentação saudável é coisa de gente xiita, desconhecedora das descobertas da ciência?

A ciência reconhece o diabetes, a obesidade e as doenças cardiovasculares entre outras infelicidades, como relacionadas à alimentação e estilo de vida. Só não consegue dizer especificamente quais ações e atitudes são decisivas na aquisição destas doenças.

Para quem fica doente sem saber exatamente porque, a medicina oferece uma solução: ela pode combater muitos efeitos da maioria das doenças e manter a vida por muito tempo. Basta que estejamos dispostos a aceitar uma picadinha de insulina diária, uma operaçãozinha de redução de estômago, um pouquinho de dor entre as doses de analgésico, uma certa limitação nos movimentos, uma dieta bem espartana, uma conta na farmácia que facilmente ultrapassa o salário mínimo, entre outros pequenos incômodos. E assim a vida continua.

Não se trata de ignorância ou misticismo. Talvez de exagero. Mas mesmo assim prefiro pagar o preço por alimentos orgânicos. Não aceitar qualquer coisa só porque o Ministério da Saúde permite que seja vendida, pode valer uma mudança de hábitos que, além de me manter longe dos médicos, talvez ajude o mundo a descobrir uma forma econômica de se viver com saúde.

sábado, 23 de junho de 2007

Nem só as pessoas são cinza. Ovo também é.


O romantismo já acabou há séculos e até nas novelas as pessoas têm virtudes e defeitos. Drama mexicano com mocinha sempre boazinha e bandido feioso não dá mais, n'é?

Alguém deveria dizer isto para a edição da Revista Saúde. Se eles encontrassem um jornalista mais Janete Clair, talvez tivessem mais leitores e com certeza, prestariam um melhor serviço à sociedade. Assim como está, só atrapalham.

Bem, vamos ao ovo...

Ovo emagrece!? Ora, por favor! O que está escrito lá na Revista Saúde é que aumentar a quantidade de proteínas e gorduras, em detrimento de carboidratos, especialmente no café da manhã, aumenta a saciedade durante o dia e fica mais fácil controlar o peso. Para mim isso não é o mesmo que dizer que ovo emagrece.

Acontece que nenhuma pesquisa pode ser feita comparando todos os alimentos ao mesmo tempo, e os cientistas não podem usar ovo em um experimento e dizer que descobriram uma propriedade que se aplica ao presunto! Mas eles têm uma clara noção de quando podem ou não extrapolar. Quem parece não ter noção são os jornalistas! Ou então eles sabem o que dizem, mas acreditam que o sensacionalismo é mais popular que o bom senso.

Bem o fato é que:
Carboidratos levam mais ou menos 2 horas para serem digeridos;
Proteínas levam em torno de 4 horas;
Gorduras, umas 6 horas.

Ou seja, para uma mesma quantidade de calorias, as gorduras vão satisfazer por mais tempo, principalmente se elas forem ingeridas em alimentos que tenham o mais ou menos o mesmo peso que os ricos em carboidratos. Não adianta substituir um pãozinho inteiro por uma colher de azeite, a colher de azeite não faz volume no estômago, não precisa mastigar, dá quase a mesma sensação que comer uma colher de suco de frutas e não vai, obviamente, matar a fome.

O truque é comer alimentos que sejam volumosos e tenham gorduras, proteínas e fibras. O ovo tem clara cheia de proteínas, muito poucas calorias e um pouco de gordura na gema. Então comer ovos inteiros tudo bem, é um bom negócio. Sem exageros!

Ovos fritos não têm só a gordura do ovo não! Nos ovos fritos a gordura da gema é a minoria, além do que, para serem gostosos de verdade, têm que ter uma beirinha da clara torrada, bem crocante, condições perfeitas para a formação de várias substâncias tóxicas...

Fios de ovos, não têm clara, possuem uma quantidade gigantesca de açúcar e gorduras, estão na categoria das piores escolhas que alguém pode fazer por sua própria saúde.

Veríssimo que me desculpe, mas sou grata a cada colherada de fios de ovos que ele deixou de comer, afinal adoro o humor de seus textos e como acho difícil o bom humor sobreviver à doença e à decrepitude, quero mais é que ele continue de dieta de fios de ovos e de ovos fritos.

Todos os outros benefícios citados na reportagem são velhos conhecidos de quem estuda os alimentos, e nenhum deles é exclusividade do ovo. Por isso ANTIGAMENTE se recomendava caprichar na restrição de ovos e conseguir estes nutrientes em outros alimentos, AGORA estão dizendo que não precisamos caprichar na restrição de ovos.

Os ovos servem para um montão de coisas e estão presentes em muitos alimentos comprados prontos. Gosta de risoles, coxinha, macarrão, bolos, empanados, cremes? Cada vez que se come uma destas coisas, está-se comendo gemas. Isso sempre foi assim, foi por isso que os cientistas se apavoraram na década de 70. Eles começaram a gritar assustados: PAREM COM O OVO. Mas o mundo não é preto e branco. Nem dos papa-ovos.

domingo, 3 de junho de 2007

Forno a lenha ou a gás?


Toda iniciativa envolve escolhas. E na produção de alimentos, a escolha de materiais e... tecnologia.

Estivemos pensando: porque pizzas assadas em forno a lenha fazem tanto sucesso? Serão melhores mesmo? E aí vem outra preocupação: até que ponto a queima da lenha não contamina o alimento?

Sim, porque você já deve ter tido a oportunidade de ficar em volta de uma fogueira de lenha - aquelas de festa junina, deliciosas por sinal - e depois descobrir-se todo defumado, certo?

Este mês de junho, além de festas juninas, foi repleto de feiras profissionais da alimentação e aproveitei a oportunidade pra interrogar muita gente. E também observar as diferentes opções para se assarem pizzas.

Mas não tem jeito! A queima da lenha produz mesmo fumaça, resultante de combustão incompleta, e isso pode contaminar seriamente os alimentos. É a mesma coisa para o churrasco. Então vai mais essa bomba pra vocês.

Estamos carecas de saber que a combustão incompleta lança no ambiente monóxido de carbono que é gás tóxico. Mas pouco se fala da produção de benzopireno, nosso amiguinho da foto aí em cima. Ambos podem ser produzidos pelos motores automotivos, na queima dos cigarros (ah, fumantes!), nos processos de defumação de carnes e peixes, nas lareiras, churrasqueiras e... nos fornos de pizza.

Tal é a preocupação com o benzopireno na saúde pública que os órgãos de saúde zelam pela sua prevenção em todo o mundo. O Brasil, por exemplo, controla a importação de alguns tipos de óleo de oliva, justamente por causa da incidência do benzopireno. Mas... e quem controla o benzopireno que se produz aqui mesmo nas terras de Cabral? Bom, quase ninguém.

É verdade que a indústria alimentícia, especialmente as que tiverem uma gestão séria, já terão se preocupado com o assunto e feito instalações de defumação, por exemplo, capazes de prevenir a contaminação. Mas isso não é verdade para as produções artesanais, nem para as maravilhosas churrascarias gaúchas ou pizzarias paulistas.

De um total de 275 substâncias perigosas consideradas prioritárias pela Agência de Saúde dos EUA, o benzopireno está em 9º lugar. E por que tanta preocupação? De um lado está a alta incidência no ambiente em geral, e na alimentação da população em particular. De outro... sua toxicidade, tanto em nível hematológico, da reprodução e desenvolvimento e imunológico, com também, e muito mais importante, por seus efeitos carcinogénicos e genotóxicos. (perdoe o hiperlink mas o artigo é ótimo).

Não sei se ajuda, mas que nosso senso crítico acerca das pizzas de forno a lenha e churrasquinhos em geral vai mudar, isso vai.

Um ataque vegetariano





Vegetarianismo: um assunto que sempre suscita controvérsias.

Já experimentamos e gostamos. Ou ficamos indiferentes. Mas há quem nem queira pensar no assunto!

Então, enquanto não trazemos outras contribuições, vai um textinho que, no mínimo, coloca 'pulgas atrás da orelha'.

“(...) nas regiões mais extremas das Montanhas Canadenses, (...) as temperaturas durante o inverno chegam a 56ºC abaixo de zero. (...) E assim o índio descreveu em detalhes a maneira como os caçadores matam um alce, abrem a carcaça na parte de trás, exatamente acima dos rins. Ali eles encontravam aquilo que o índio descreveu como duas pequenas bolas de gordura. As glândulas supra-renais. Estas duas pequenas bolas de gordura* eram divididas em tantos pedaços quantos fossem os membros da família. Cada um comeria sua parte. As paredes do segundo estômago do alce eram também comidas. Gente primitiva, cujos cientistas haviam estudado os animais selvagens em liberdade, aprenderam a comer os órgãos internos dos animais; freqüentemente a carne musculosa e o filé mignon eram jogados aos cães. O homem civilizado moderno, comendo por prazer e não por uma questão de sobrevivência, faz o contrário.” In: Dufty, William. Sugar Blues. p. 88-89. Ed. Ground Informação: Rio de Janeiro, 1975

E você? É ou já foi veggie? Gostaria mas acha que não dá? Está convencido ou tem dúvidas quanto à utilidade da conduta?

Escreva seu comentário, queremos muito saber sua opinião.

*São, na verdade, as glândulas supra-renais do animal abatido, principal fonte de vitamina C daquela população.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Porque o diabo quiz assim...

Quando eu era pequena dizia-se que tínhamos aumentado a longevidade da população em função de melhores condições de vida, que ninguém mais deveria morrer de verminoses, inflamações e infecções bobas. Os perigos seriam as doenças do coração, o câncer e outras doenças típicas da terceira idade.

O tempo passou e continuamos enfrentando os mesmos problemas, no entanto, cada vez menos associados à terceira idade e mais assombrando adultos jovens, adolescentes e até crianças. Ouço que isso é fruto do stress, que significa incapacidade do organismo de lidar com as exigências do meio.

Isso leva a duas possibilidades: o meio ambiente ficou mais agreste e/ou nosso organismo ficou menos capaz. Acredito nas duas. Quanto ao meio ambiente não posso fazer muito, mas quanto à capacidade do meu organismo, depende de cuidados pessoais. Posso então aceitar o desafio, ou lamentar a sorte.





Refinar: Tornar mais fino, delicado; apurar; aperfeiçoar


Alimentos refinados deveriam ser alimentos aperfeiçoados, deveriam dar ao organismo só aquilo que lhe interessasse, na forma em que melhor fossem absorvidos.

Pena que nossos organismos entenderam errado. Para eles, alimentos refinados são alimentos aleijados, destituídos dos componentes que lhes são mais caros... Além disso, como são absorvidos mais rapidamente, representam um problema para o próximo estágio: exigem esforço concentrado para que sejam metabolizados tão logo quanto disponíveis, fazendo todo o organismo funcionar ao trancos.

Nossas avós (ou bisavós, depende) devem se lembrar que por aqui não havia o hábito de comer pão branco, de trigo. Foi necessária muita propaganda para convencer as pessoas a comerem pão branquelo e aguado. Agora é hora de repensar nosso paladar e, pensando bem, os refinados nem são necessariamente mais gostosos. É possível encontrar integrais, macios, fofinhos, coloridos e crocantes.

O Ministério da Saúde adverte: 1 em cada 3 pés de alface é tóxico.


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária divulgou o resultado de suas análises, feitas no ano passado, para acompanhamento do nível de resíduos de agrotóxicos nos alimentos. As boas notícias vêm com os resultados da batata e da laranja, mas as demais não são muito animadoras. Veja o que diz a Anvisa:

O Brasil é o
terceiro maior mercado consumidor de agrotóxicos do mundo. O uso abusivo de
agrotóxicos, entretanto, ameaça a saúde do consumidor e do trabalhador rural,
além de contaminar o meio-ambiente.

Depois de ler isto, ficam para mim algumas várias dúvidas:
Se 1 em cada 3 pés de alface é tóxico (ou melhor, tem resíduos tóxicos em quantidades não seguras) como será que estão as demais verduras? Couve, rúcula, chicória?
O que será que faz ficar doente mais rápido? Comer a salada do restaurante por quilo aqui perto ou não comer salada alguma?
Será que no Estado de São Paulo os alimentos são mais ou são menos contaminados que no resto do país?
Será que os cereais também estão contaminados?
Será que os cereais refinados têm menos agrotóxicos que os integrais, ou seja, será que os resíduos de agrotóxicos se concentram nas cascas desses grãos?
Porque a Anvisa não coloca logo no site o resultado completo do trabalho?
Porque o acompanhamento da Anvisa é tão pouco abrangente?
Ai, SOCORRO!!!

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Refrigerante ou garapa?

Se você tiver pensando em trocar o refri por garapa, acho uma boa idéia, principalmente porque é tão enjoativo que não dá para tomar um copo de 700 ml. Mas lembre-se que colocar limão vai disfarçar o açúcar e permitir que se tome mais do que o saudável.

Aliás, não estou defendendo a garapa só porque ela é natural enquanto o refrigerante é artificial; não acredito nesta história de toque de Midas ao contrário, que tudo em que o homem põe a mão fica ruim. O que acontece é que não podemos contar com os milhões de anos de evolução do organismo humano para garantir o desenvolvimento de mecanismos eficientes para aproveitar e eliminar as substâncias alimentares.

Para os alimentos in natura vale a regra sgundo a qual devemos comer aquilo que nos dá prazer, enquanto que os alimentos processados e "mandraqueados' são uma verdadeira loteria, e aí...

O mais seguro é procurar imitar direitinho a boa e velha natureza.

Você sabia que...

Uma lata de refrigerante contém tanto açúcar quanto duas colheres de sopa cheias de mel ou 250 gramas de cana de açúcar.
Ou seja, cada vez que tomar uma latinha de refri, imagine comer junto duas colheradas de mel. Não seria enjoativo? Então pense se seu organismo precisava daquela energia toda. Talvez seu corpo estivesse somente com sede e precisasse de apenas... água.
Imagine agora trocar o refrigerante pelo equivalente em pedaços de cana de açúcar. Só de pensar em roer toda essa cana já faz desistir. E para o organismo as duas coisas são muito diferentes, o refrigerante fornece açúcar que estará no sangue em poucos minutos, enquanto que chupar cana é uma tarefa muuuuuuito mais demorada.

Açúcar - Uma explosão de sabor

O açúcar é a forma mais rápida, direta e eficiente de fornecer energia ao organismo, por isso é um componente valioso em uma dieta saudável. Isto é pura verdade, mas é também um excelente exemplo de como contar uma mentira usando apenas verdades. O problema está, como sempre, no exagero.

Um alimento muito purificado é de fácil absorção. Isso significa que só um pouquinho de açúcar representa uma grande quantidade de energia rapidamente liberada, faz o corpo trabalhar rápido para aproveitar logo esse 'presente'. Só que fazer isso todos os dias, acaba sendo uma sobrecarga.

A explosão de energia acaba explodindo nossa saúde. Então, devagar, o organismo pára de funcionar. Primeiro ocorre uma discreta elevação nos níveis de insulina, depois vêm as dificuldades para manter estável o nível de glicose no sangue. Neste ponto os médicos já vão diagnosticar como doença e indicar uma dieta muito restritiva para alguém que até então achava que açúcar era energia e força. A justificativa é que nesta fase qualquer quantidade de açúcar já é uma sobrecarga, e continuar forçando o organismo pode gerar sérias complicações.

Hipoglicemia, diabetes e doenças afins não são como intoxicação alimentar, em que horas depois da refeição já percebemos seus efeitos e depois tudo volta ao normal. O diabetes tipo 2 é praticamente uma conquista, resultado do abuso diário e muito treinamento para que nosso paladar acostume-se com quantidades cada vez maiores de açúcar e carboidratos refinados.

É verdade que a maioria das pessoas pode passar a vida toda com uma alimentação inadequada e não desenvolver diabetes, mas a maioria dos doentes poderia ter escapado disso e, além da possibilidade do diabetes, todos têm muito a ganhar com uma dieta mais saudável.

segunda-feira, 23 de abril de 2007


Energia Vital (colaboração da Nutricionista Maria Tereza Casulli)

O texto com o título Mundo Antigo andou suscitando perguntas. E a Nutricionista Maria Tereza Casulli empolgou-se em comentar. Nossa gratidão a ela pelos esclarecimentos!

DoceClaris: ... escreve o autor: "Hoje essa arte primitiva está sendo redescoberta por engenheiros e cientistas de todo o mundo e reutilizada para a medição da vitalidade dos alimentos." Existe mesmo esta medição?

Tereza: Existe sim! Há estudos avançados nos EUA sobre a energia vital dos alimentos e existe até uma tabela em que constam várias medidas experimentais. Por exemplo, um alimento vai perdendo energia vital à medida em que vai apodrecendo. E, dadas determinadas condições ambientais de conservação, quando menor a energia vital inicial, mais rápidamente ocorre a deterioração. Uma cenoura conservada na geladeira pode brotar ou enraizar, apenas desidratar, murchar ou ressecar, ou ainda apodrecer. E isso depende do quanto de energia vital ela contém. Por um ensaio com cenouras que eu já fiz, constatei que um produto da agricultura natural conserva-se por mais tempo que um produto da agricultura convencional.

DoceClaris: E que efeitos tem uma maior ou menor energia vital sobre a saúde humana?

Tereza: Um alimento com maior nível de energia vital pode permitir uma ingestão calórica menor pois a energia vital também decorre de um bom suprimento e equilíbrio de micronutrientes e vitaminas. É diferente daquilo que se chamam calorias vazias, não se tratam apenas de macronutrientes. Alimentos com maior energia vital, alimentam não só o corpo físico mas também os corpos sutis, energéticos do ser humano.

Hoje constatamos que os alimentos com maior energia vital, são os alimentos funcionais como frutas, cereais integrais, farelo, cítricos, verduras escuras, sementes oleaginosas, chás probióticos – verde - , grãos. São alimentos protetores, funcionais porque nutrem as células e as ajudam a se desenvenenar.

DoceClaris: Como os grãos integrais, por causa dos embriões?

Tereza: O gérmem dos grãos integrais são seus embriões e têm maior energia vital. Contém uma gama enorme de minerais, fibras solúveis, vitaminas comp.B, nutrientes... O embrião (gérmem) é onde está o alimento... E a gente tira! E o que acaba acontecendo? Costumo dar este exemplo: a compulsão por carboidrato nada mais é do que uma busca incessante - por que na natureza os cereais são uma fonte importante - de vitaminas do complexo B e fibras, fundamentais nos processos de fabricação de energia. Como os cereais foram refinados, o seu consumo não vai suprir e o corpo pede mais. Essa compulsão por carboidratos é um fator de origem nutricional e de vitalidade também.

A industrialização ocorreu de uns 100 anos pra cá, e é nesse período que a gente observa as conseqüências do refinamento na saúde, com o diabetes, obesidade, problemas de saúde pública.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Palavras da Nutricionista Maria Tereza Casulli sobre Saúde Intestinal

Na primeira postagem dos intestinos preguiçosos, adiantamos que não iríamos tratar sozinhas sobre as conseqüências da constipação para a saúde. Pois bem, eis porque reservamos esse assunto para o final da série, trazendo como colaboradora a Nutricionista Maria Tereza Casulli.

Então vamos apresentá-la: A Nutricionista Maria Tereza que, com a devida licença, será chamada de agora em diante Tereza, é grande propagadora da Alimentação Natural como meio de preservar ou melhorar a saúde. Formada há mais de 20 anos, dedica-se à orientação clínica nutricional, colocando a serviço uma gama de talentos que vão desde a ciência da nutrição até muita psicologia para bem avaliar e estímular mudanças comportamentais nos pacientes em benefício de sua saúde.

DoceClaris: Afinal o que é, em essência, a Alimentação Natural?

Tereza: A Alimentação Natural se apoia em dois princípios fundamentais: 1) Os alimentos mais apropriados para o ser humano são aqueles que se encontram disponíveis na região e ainda, o mais próximo possível do estado em que a natureza nos oferece; 2) O corpo humano é soberano, e um aparelho digestivo fortalecido é capaz de fabricar e disponibilizar tudo o que o corpo precisa. A ciência atual já admite que, num intestino com microecologia (microflora + meio circundante) interna correta, as bactérias são capazes de fabricar até vitamina B12, que sempre foi tida como uma vitamina de fonte exclusivamente animal. No ramo da nutrição clínica funcional, o intestino é hoje considerado nosso 2º cérebro, pois suas paredes também produzem neurotransmissores para suprimento de todo organismo!

DoceClaris: Então vamos falar de constipação: aparentemente, muita gente não sabe quão lenta é a sua digestão. A incidência de constipação na população é muito grande?

Tereza: É enorme! E, embora esta não seja uma estatística epidemiológica, em minha experiência clínica mais de 50% dos pacientes apresenta constipação. Este sofrimento pode envolver muitos fatores desde emocionais até a questão do tempo, muito relevante. Adultos hoje se comportam como crianças que, enquanto estão brincando, não podem parar para seguir o instinto fisiológico. Os adultos não têm tempo de ir ao sanitário e sentar, não podem parar o que estão fazendo. Muitos sentem o estímulo fisiológico mas têm o inconveniente de não poderem fazer fora de casa. A vida moderna acaba gerando esses problemas. Numa conversa na clínica a gente pode avaliar que o intestino - a natureza - até tenta mostrar um caminho, dar um sinal, mas a pessoa não deixa transcorrer da forma natural como deveria. Até em consultório a gente ter que falar: “Quebre uma barreira e, diante do sinal, aprenda a utilizar o toillete da empresa. Aprenda a disponibilizar meia hora para ficar sentado, pra deixar a natureza agir”.

DoceClaris: E o que não seria constipação, torna-se.

Tereza: Há ainda um fator emocional, o apego. O intestino preso está muito ligado ao apego. Normalmente o constipado costuma ter gavetas entulhadas de coisas, armários lotados, coisas que se acumulam. E o intestino também manda mensagem dando sinais de como é o comportamento, o sentimento da pessoa.

Mas o mais importante, afinal, é a questão da hidratação. Numa simples conversa na clínica a gente avalia a hidratação. Normalmente, o indivíuo que é obstipado, cujo intestino não funciona direito, a gente não chama de ressecado? Pois então, é por que está seco! Toda a captação e distribuição da água do organismo é feita no intestino; os órgãos todos, as células, o sistema de defesa, o sangue, precisam de água em abundância e, sendo sua necessidade maior, acaba sobrando muito pouco no intestino. Nessas condições, às vezes a pessoa entra com uma conduta de fibras, o que exige uma hidratação ainda maior. Imagine você colocar fibras muito secas (farelos) num lugar que já está ressecado! Isso pode gerar um problema muito maior do que o que havia anteriormente. Pode ocorrer uma obstrução de alça, formar um bolo obstrutivo muito grande.

Então o primeiro fator a ser observado é a hidratação. São dicas simples, a gente tem que começar interferindo em coisas simples assim, como é o ato de beber água. Dizemos que a quantidade ideal é 30ml por kg de peso por dia. Temos que esinar as pessoas a começarem o seu dia, a sair do jejum, tomando 2 copos de água, e então a darem continuidade com esse volume de água durante o resto do dia para promover a hidratação. Esse é o primeiro passo para ajudar o intestino.

DoceClaris: E qual o “custo” da constipação para a saúde em geral?

Tereza: É como falar que “fulano é enfezado”. A palavra já diz, é um indivíduo cheio de fezes. E um intestino assim vai ser um capturador, vai promover a absorção de substâncias tóxicas. A permanência de fezes no intestino, e conseqüente fermentação, vai gerar substâncias tóxicas para o corpo, de nomes nada bonitos, nada agradáveis como cadaverina, putrefatina, etc. Quanto mais tempo, quanto mais contato com a luz intestinal, esta vai sofrendo a ação desssas substância nocivas. E o contato da parede intestinal com essas substâncias pode induzir uma hiperpermeabilidade, tornando o intestino uma peneira, que impede a absorção e permite a migração para a corrente sangüínea de alguns peptídeos capazes de provocar ataques de alergia pois o sistema imunológico detecta essas substância como um corpo estranho.

Isso tem grande relação com a enorme incidência de alergias alimentares, em especial a lácteos e a glúten. As alergias ocorrem por substâncias dos próprios alimentos, por peptídeos em princípio inofensivos como os de frango, de ovos, de carne vermelha, ou mesmo de glúten, que é uma macromolécula de alta permeabilidade. Assim, os alimentos apresentam diferentes graus de alergenicidade, sendo o do trigo um dos maiores.

Com a migração dessas substâncias para a corrente sangüínea e o conseqüente ataque do sistema de defesa, uma série de sintomas de difícil diagnóstico passam a se manifestar no indivíduo como por exemplo cansaço, sonolência, falta de concentração, dor articular, distúrbio de atenção em crianças, hiperatividade...

DoceClaris: Como deve proceder uma pessoa para avaliar se é constipada ou não?

Tereza: Diante de uma alimentação correta e dado um nível normal de exercício físico, um intestino saudável deveria promover uma evacuação para cada refeição principal, num tempo entre 8 e 12 horas depois dela. O saudável seria 3 vezes por dia, uma para cada uma das principais refeições.

Pode ocorrer de haver tal freqüência mas nunca se esvaziar o intestino, o que também não é uma condição ideal. Então diagnosticamos a constipação pela observação de esforço para evacuar, produção excessiva de gases, gases de forte odor, fezes empedradas (tipo cabritinho), esgarçada, rachada, ou em que se pode visualizar o alimento que foi ingerido, o que não é desejável pois característico de uma má digestão, falta de enzimas e má absorção.

DoceClaris: O que mais a análise das fezes pode dizer ao observador?

Tereza: A análise das fezes permite avaliar o grau de absorção e aproveitamento dos nutrientes. A presença de muco, por exemplo, é um grande desperdício de minerais e de proteínas. Um alto consumo de papel para higienização após a evacuação indica uma desbiose intestinal, ou seja, que está havendo um crescimento de bactérias nocivas superior ao dos lactobacilos e outros microorganismos benéficos, o que também incorre em má absorção de nutrientes. O saudável seria não precisar de higienização após a evacuação, como os animais.

DoceClaris: E sobre as análises clínicas de fezes? Avaliam assim também?

Tereza: A atual análise clínica de fezes não leva em conta estas coisas. Nos primórdios da medicina, a análise das fezes e da urina era importante fonte de dados para os estudos, assim como hoje o é para o ramo da Nutrição Clínica Funcional.

Este ramo da Ciência da Nutrição desenvolveu todo o seu procedimento para melhorar, recuperar e potencializar a saúde do aparelho digestivo com foco no intestino. O indivíduo enfezado (cheio de fezes) tem o seu humor deprimido e comprometido pois intestino congestionado é causa de depressão. Para nós, intestino limpo e descongestionado implica em cabeça firme, leve e decidida.

Interessantíssimo! Esta entrevista com a Nutricionista Maria Tereza Casulli rendeu um filhotinho: em outra postagem vai o instigante assunto sobre Energia Vital dos alimentos. Até lá.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Cobertura de Chocolate sem leite

Cada vez mais nos deparamos com pais aflitos com alguma alergia de seus filhos, muitas vezes a produtos lácteos em geral.

Nada mais exasperante! Imaginamos a dificuldade de se administrarem crianças ansiosas por iogurtes, sovetes e chocolates e então, quem sabe esta receita ajude.

Pode ser usada como cobertura para bolos ou mesmo pão de mel. Também fica muito bom acompanhando bananas, laranjas, peras... Quentinha, vale um fondue.

Assim, bom apetite.

Ingredientes:
1 colher de sopa de extrato de soja (leite de soja) em pó*
2 colheres de sopa de cacau em pó**
3 colheres de sopa de açúcar demerara
3 colheres de sopa de manteiga de cacau ou gordura de palma
1/2 xícara de água
1/2 colher de sobremesa de amido de milho

Modo de fazer:
Misturar tudo no liqüidificador e cozinhar em fogo baixo até obter uma calda grossa. Deve render 240 g de cobertura.

Como poderá observar, essa receita não tem nada de light e ainda contém açúcar. Mesmo assim pode ser considerada equilibrada: porque

1- Cada porção de 20g (uma colher de sopa) contém 2% do VD (quantidade diária recomendada para ingestão do nutriente) de carboidratos, proteínas e fibras, bastante semelhante as melhores coberturas feitas com leite . Bem... porque muitas coberturas compradas prontas são só açúcar, açúcar, açúcar, corante e aroma. Um escândalo!

2- Apesar de ser bem gordinha - tem muita gordura em relação aos demais nutrientes - o teor calórico é compatível com as coberturas de chocolate em geral, ou seja, é para comer pouco. Também não vale trocar a manteiga de cacau ou gordura de palma por margarina ou manteiga, elas são gorduras menos saudáves e podem conter leite.


* Dica: O melhor extrato de soja é aquele produzido pela Olvebra.
** Infelizmente não serve chocolate em pó, tem que ser cacau mesmo, porque o chocolate sempre têm leite misturado.

Sem tempo para fazer? Em www.clarisalimentos.com.br, esta cobertura será light, sem adição de açúcares e muito rica em fibras, o que, infelizmente, ainda não dá pra ser feito em casa.

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Mundo Antigo

“Aquilo que a vanguarda da endocrinologia nos diz hoje, as feiticeiras do período que chamamos Idade das Trevas conheciam por instinto ou aprenderam por experiência. (...) Anatomia, alquimia e farmacologia floresciam entre essa gente muito tempo antes de se tornarem uma prática generalizada. Esses terapeutas da natureza acreditavam que o universo era governado por uma lei e ordem da qual faziam parte todas as pétalas de todas as plantas. (...) Enquanto os médicos eram poucos, praticando selvagens rituais masculinos, como sangrias e extirpação de membros, os naturistas eram capazes de curar as pessoas combinando os poderes curativos das plantas com postura de mãos e conselhos baseados no bom senso sobre dieta, jejum e prece. (...)
Os naturistas percebiam o poder de várias plantas e alimentos para distinguir entre uma comida saudável e substâncias venenosas, freqüentemente utilizavam um instrumento muito comum entre as civilizações antigas: uma forquilha, um pêndulo (...) presa por um pedaço de barbante. (...) Hoje essa arte primitiva está sendo redescoberta por engenheiros e cientistas de todo o mundo e reutilizada para a medição da vitalidade dos alimentos. Enquanto o suco fresco da beterraba açucareira registra 8.500 unidades de saudável e radiante energia, uma porção de açúcar refinado registra zero, embora a soma de calorias inertes possa permancer mais ou menos constante em ambos.”

Dufty, William. Sugar Blues. p. 33-34. Ed. Ground Informação: Rio de Janeiro, 1975

quarta-feira, 28 de março de 2007


Diretamente do ferro velho para sua mesa

A gordura vegetal hidrogenada foi uma grande invenção. Era indispensável na produção em larga escala de batatas fritas sequinhas, douradas e crocantes, delicados petit fours, cremes e doces que povoam o imaginário de todos nós. Sucesso absoluto de crítica e de público. Graças a ela todas essas delícias se tornaram baratas, com boa vida de prateleira e acessíveis pra todo mundo. Perfeito? Quase. Foi o consumo de gordura vegetal que nos transformou em seres atulhados de gordura trans. E ai... doenças, várias delas.

A solução foi desenvolver processos que produzissem gorduras com as mesmas características da gordura vegetal hidrogenada mas sem os mal falados isômeros trans. Demorou, mas hoje temos essa tecnologia totalmente disponível, basta trocar os equipamentos antigos por instalações mais modernas.

Essa troca está sendo feita devagar, o ritmo costuma variar de acordo com a pressão do governo e da sociedade. Por aqui no Brasil, as coisas também estão mudando, os produtos embalados já são obrigados a declarar na informação nutricional a quantidade de gorduras trans presente numa porção. Quanto menos melhor. Cabe ao consumidor escolher.

Dizer que basta trocar os equipamentos velhos por instalações modernas é um pouco simplista, pois nesta troca está envolvido um bom tanto de dinheiro. As empresas, assim como as pessoas, não têm orçamentos infinitos, mas muitas já trocaram suas matérias-primas e equipamentos. Privilegiar, no momento da compra, produtos sem gorduras trans é a forma mais efetiva de convencer todos os fabricantes de que vale a pena adequar seus produtos.

Há quem defenda que gorduras trans são indispensáveis, que não dá para fazer frituras tão boas com matérias-primas mais saudáveis. Não é verdade. Tanto que a Elma Chips (Batatinha Ruffles) já livrou todos os seus salgadinhos deste ingrediente indesejável. SEMPRE é possível fazer um produto de qualidade equivalente sem ser nocivo a saúde.

Para saber se o produto tem ou não gorduras trans, precisa ler o rótulo. Eles são, às vezes, surpreendentes. Por exemplo, a pipoca de microondas é abundante em gorduras trans, assim como a farofa temperada, e a massa folhada então... (tem uma marca famosa que nem informa o seu conteúdo de trans: deve ser por vergonha!) Já as margarinas, reduto tradicional da gordura vegetal hidrogenada, estão rapidamente trocando suas matérias-primas.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Max Planck

“Uma nova verdade científica não triunfa convencendo seus oponentes e fazendo-os ver a luz. Mas antes, porque eles finalmente morrem e a geração seguinte já cresce acostumada a ela.”

quinta-feira, 22 de março de 2007

Microflora benéfica: uma população inteira pra você cuidar.

Continuando nosso papo sobre "intestinos preguiçosos", retomamos uma informação lá do início, quando dissemos que entre as principais causas de constipação está o uso excessivo de laxantes.

E por quê? Bem, dentro de nosso intestino, e em especial no cólon, há alguns bilhões de serezinhos microscópicos que compõem a chamada microflora* intestinal, subdividida de modo simplificado na microflora benéfica e... um certo pessoalzinho indesejado, responsável por diarréias, infecções, danos ao fígado, cânceres e putrefação do intestino, os patógenos.

Embora possam dobrar a população a cada 15 minutos se bem adaptados e nutridos, haverá entre eles uma competição por alimentos e demais condições de vida, sendo que melhor sobreviverão aqueles mais favorecidos pelos nossos hábitos alimentares. Só a título de exemplo, quanto mais proteínas tiver uma alimentação, mais se estimulará a população dos putrefativos. E ainda, se o bolo não for macio, volumoso e portanto não "andar pra frente", a coisa fica lá à vontade pra eles crescerem, produzindo toxinas que enfim serão absorvidas pelo nosso organismo.

A microflora benéfica, composta principalmente de bifidobactérias e lactobacilos, ao contrário, é favorecida pela presença das fibras – em especial as solúveis -, pois as fermentam e as aproveitam. Em retorno, seu aumento inibe o crescimento das bactérias danosas, estimula as funções imunológicas, melhora a digestão e absorção de nutrientes essenciais e a síntese de vitaminas.

Ao reconhecer a importância da microflora benéfica, compreende-se porque não é recomendável o uso sistemático de laxantes pois eles, ao desrespeitarem os movimentos naturais do intestino, muitas vezes promovendo a inversão da pressão osmótica nas paredes intestinais, saem "lavando" tudo e acabam por remover ou empobrecer muito a microflora benéfica, cujo restabelecimento é tão importante quanto difícil.

Assim, convencida de que a manutenção da microflora intestinal é uma das portas da saúde, há tempos a indústria da alimentação vem se esforçando no sentido de oferecer alimentos com propriedades probióticas e prebióticas, assunto da nossa próxima postagem.

*A Claudia discorda do nome "microflora", acharia mais apropriado se fosse "microfauna": coisas de uma imaginação fértil e traquina.

Alimentos funcionais, funcionam como?


"Desde o início da década de 90 já existiam na Secretaria de Vigilância Sanitária pedidos de análise para fins de registro de diversos produtos até então não reconhecidos como alimentos, no conceito tradicional. Com o passar dos anos, além do aumento do número de pedidos, aumentou também a sua variedade (...). Somente a partir de 1998, depois de mais de um ano de trabalho e pesquisa, contando com a contribuição de várias instituições e pesquisadores da área de nutrição, toxicologia, tecnologia de alimentos e outras, foi proposta e aprovada pela Vigilância Sanitária a regulamentação técnica para análise de novos alimentos e ingredientes, aí incluídos os chamados "alimentos funcionais"." (texto de apresentação da Comissão Tecnocientífica de Assessoramento em Alimentos Funcionais e Novos Alimentos – jul 2004)

Para tratar do caso dos "intestinos preguiçosos", vamos aos alimentos funcionais que nos interessam por ora:


  • Probióticos são alimentos que fornecem microorganismos vivos e suficientemente resistentes para sobreviverem às condições do aparelho digestivo e chegarem ao intestino grosso onde comporão a microflora benéfica. (Obs.: a Yakult se orgulha de ter introduzido o primeiro alimento probiótico no mercado brasileiro)

  • Prebióticos são alimentos que fornecem nutrientes favoráveis ao crescimento e desenvolvimento da microflora benéfica que, dominante, neutralizará eventuais efeitos patogênicos da flora indesejável. São alimentos geralmente adicionados de fibras alimentares solúveis (em quantidades que inequivocamente tenham esse fim, pois fibras também podem ser adicionadas com fins meramente tecnológicos).


Hummm... 40% das fibras fornecidas por um alimento prebiótico se transformam em massa microbiana benéfica capaz de fermentá-las; 50% em ácidos graxos voláteis; e 10% em gases. Com isso e mais alguns detalhes sobre as possíveis fontes de fibras, vamos selecionando o que vive e o que morre dentro de nosso organismo.


Fibras alimentares: fechando o ciclo

Como dissemos na postagem sobre alimentos funcionais, fibras têm propriedades prebióticas. Mas não todas. Vamos aqui falar um pouquinho delas.

As fibras alimentares se dividem entre as que são solúveis em água e as que não o são, ambos tipos abundantemente disponíveis na natureza, fazendo parte de todos os tecidos e organismos vegetais. O sistema digestivo humano não as degrada, de modo que toda fibra ingerida, ou é eliminada nas fezes, ou é fermentada no intestino grosso por bactérias componentes da flora intestinal.

As fibras insolúveis são as responsáveis pela estrutura, rigidez, impermeabilidade e resistência mecânica dos organismos vegetais, sendo as mais conhecidas a celulose, a hemicelulose e a lignina e as que predominam nos farelos de cereais. No trato digestivo humano, não são sequer fermentadas pelas bactérias intestinais, e portanto são as grandes responsáveis pela conservação da umidade, volume e peso do bolo fecal e promotoras da motilidade intestinal. Atuam reduzindo a aborção de lipídios (gorduras e colesterol) por interagirem com os sais biliares, previnem o câncer de cólon por absorverem substâncias carcinogênicas hidrofóbicas e prolongam o tempo de entrada dos açúcares simples na corrente sangüínea, atenuando os picos glicêmicos e de demanda por insulina.

As fibras solúveis são encontradas nos vegetais integrais ao lado das insolúveis. As mais importantes* são a pectina, a inulina e seus derivados e a goma acácia, cujas soluções, por serem de baixa viscosidade, fazem-nas atuar de modo diverso das insolúveis: apesar de não serem digeridas no intestino delgado, são fermentadas no intestino grosso pelas bifidobactérias.

Assim, uma dieta que se preocupe com a ingestão de fibras, além de zelar pela quantidade adequada - como dissemos em postagens anteriores -, deve também verificar a sua qualidade. O enfoque exclusivo sobre farelos e fibras de cereais, em que predominam fibras insolúveis, negligencia o importante aspecto das fibras solúveis e o seu papel sobre a flora intestinal e a saúde geral do organismo.

Consumir vegetais in natura como feijões e outras leguminosas (ricas em fibras solúveis), cebola, alho-poró, banana, cenoura, alcachofra, aspargo (todos com boas quantidades de inulina), bagaços de frutas cítricas (ricos em pectinas) e tantos outros, é uma boa estratégia de acesso.

De qualquer forma, produtos industrializados mais modernos muitas vezes trazem aportes relevantes de fibras solúveis. Pena que nem sempre haja declaração explícita dessas qualidades nas embalagens, e para identificar, há que se ter algum conhecimento, como o disponível nestes textos.

*Outro ingrediente alimentício muito utilizado em produtos inovadores é a polidextrose, uma mistura de substâncias obtida industrialmente a partir de açúcares e ácido e que, por causa da sua funcionalidade no organismo humano, ganhou status de fibra solúvel e aparece nas rotulagens como tal.
Também as chamadas "gomas" como as locuste, carragena, guar, xantana e outras, são fibras solúveis. Porém, dada a alta viscosidade das suas soluções em água, funcionam como fibras insolúveis no trato intestinal.

quarta-feira, 21 de março de 2007

Gorduras Trans - Acho que a culpa é de Darwin.



Agora virou uma espécie de “moda” dizer que gordura trans faz mal a saúde. Mas afinal, o que é gordura trans? A resposta para essa pergunta vem lá das profundezas da estrutura molecular. Significa que durante a “montagem” das moléculas de gorduras os radicais foram ligados a cadeia carbônica de lados opostos, se fossem ligados ao mesmo lado teriamos uma gordura cis.

Correndo o risco do exagero na simplificação é como se imaginássemos colocar uma pulseira e um brinco do lado direito ou um de cada lado. Isso parece ridículo? Detalhe bobo e insignificante. Na verdade, no começo do século passado, isso pareceu uma coisa sem importância até para especialistas em química orgânica, que se referiam a esta diferença pelo nome sério de isomeria espacial. Assim desenvolveu-se um processo de transformar óleo(líquido) em gorduras(sólido), imitando as características da gordura animal. Ninguém prestou atenção ou se importou muito com o fato de que na natureza as gorduras trans eram uma pequena minoria e pelo novo processo 50% da gordura surge na forma trans.

Muitas toneladas de gordura vegetal foram consumidas pelo mundo afora até que se percebesse que ela faz muito mal, e não sabemos quantas outras toneladas serão consumidas até que deixem de ser produzidas. Fato é que, muitos infartos depois, sabemos que gordura trans faz mal. E, pensando bem, isso é não tão surpreendente ou imprevisível assim , simplesmente por que nosso organismo evoluiu durante bilhões de anos no sentido de melhor aproveitar a comida disponível e eliminar aquilo que não fosse tão bom. Mas a gordura trans é, nas dosagens normalmente presentes na nossa alimentação, uma novidade absoluta. Nosso corpo tem sérias dificuldades em retirá-la do organismo. O problema todo é que Darwin esqueceu-se de prever em sua teoria evolucionista mecanismos para que um organismo se adapte a condições futuras, antes que elas sejam criadas.

sábado, 10 de março de 2007

Receita diet de Stephanie Ueta

A Stephanie foi nossa estagiária. E, dentre as suas melhores contribuições, uma adaptação de Manjar Branco que pode ser feito em casa. E esse é sem açúcar mesmo. Aproveite.

Ingredientes:

Para o Manjar:
1 colher de sopa de amido de milho
1 pacote de gelatina sem sabor
1 vidro de leite de coco
2 copos (requeijão) de leite desnatado
4 colheres (café) adoçante*

Para a Calda de Ameixas:
1 colher (café) rasa de adoçante*
1 copo (requeijão) de ameixas pretas, secas sem açúcar (verificar lista de ingredientes no pacote)
2 copos (requeijão) de água.

*Indicamos o uso de qualquer adoçante em pó, desde que não seja do tipo "use como açúcar", pois estes têm menor poder edulcorante.

Modo de preparo:

Preparo do Manjar:
Colocar todos os ingredientes no liquidificador. Bater por 3 minutos e despejar numa panela e levar ao fogo. Assim que começar a levantar fervura, retirar rapidamente do fogo. Dispor em formas redondas de furo central previamente molhadas, para que possa desenformar o manjar com maior facilidade. Levar à geladeira para que fique bem firme. Desenforme sobre um prato e reserve.

Preparo da Calda:
No Liquidificador, adicione um copo de água, o adoçante e metade das ameixas da receita. Triture bem. Despeje essa mistura numa panela e leve ao fogo com o restante dos ingredientes. Cozinhe por 6 minutos. Deixe esfriar e despeje sobre o manjar. Sirva em seguida.

Esta receita pode ser dividida em 20 pequenas porções, cada uma com a seguintes propriedades nutricionais: 52 kcal (3% VD); 5,9 g de carboidratos (2% VD); 1,2 g de proteínas (2% VD); 2,1 g de gorduras (4% VD); 1 g de fibras (4% VD).

É bem gostosa e dá sempre certo. Uma variação possível leva vinho tinto seco na calda, que pode ser engrossada com algum amido, porém, sem a ameixa, perde-se a fonte de fibras. (Mas atenção: quem tem distúrbio no metabolismo da glicose, é mais suceptível à hipoglicemia por ingestão de álcool.)

Quando você experimentar, nos dê a sua opinião. Mas se tiver sem tempo de fazer, www.clarisalimentos.com.br. Lá seu manjar vem adicionado de fibras solúveis, ingrediente de uso exclusivamente profissional.

sexta-feira, 9 de março de 2007

Fantastic voyage: para viver bastante, e bem.

“ O tratamento médico convencional visa a lidar com processos degenerativos em longo prazo apenas depois que irrompem em doença clínica avançada, mas então, já é tarde demais. (...) Vale a pena considerar o processo de reversão e superação da progressão perigosa da doença como se fosse uma guerra. Como em qualquer guerra, se o inimigo está prestes a cruzar os portões – ou, pior, se já os cruzou -, é importante mobilizar todos os meios possíveis de inteligência e armamento.

(...)

(...) questões de saúde ganham nossa atenção assim que a docença clínica se manifesta, mas a maioria dos indivíduos não consegue se concentrar na prevenção e no melhoramento da saúde antes da eclosão de sintomas explícitos. Infelizmente, a profissão médica é orientada para detectar e tratar essas condições apenas depois que atingem oponto crítico (medicina de controle de sintomas); portanto, a maioria da população recebe dos profissionais de saúde orientações limitadas sobre a prevenção de doenças. Não devemos esperar que outros indiquem o caminho para a cura; a única pessoa que pode assumir responsabilidade por sua saúde é o próprio indivíduo.”

Fonte:
Kurzweil, Ray; Grossman, Terry. A medicina da imortalidade: as dietas, os programas e as inovações tecnológicas que prometem revolucionar nosso processo de envelhecimento. Trad. Cássia Nasser. São Paulo: Aleph, 2006. pág 26.

sexta-feira, 2 de março de 2007

Planeta Água



Represa Billings - São Bernardo do Campo - SP / Verão-2007

Bolo de Fubá muuuuito mais saudável

Vira e mexe ouvimos queixas de pessoas que tentam executar receitas de bolos sem açúcar e que não dão certo.

É pena que nem a gente consiga fazê-los sem lançar mão de alguma tecnologia reservada ao meio profissional como a inulina, adoçantes inovadores e mesmo gomas de vegetais.

Mas de qualquer modo, nessas nossas incursões "de brincadeira" na cozinha, acabamos fazendo um bolinho fantástico, leve e com fibras, de fubá.

Sabe como é... não precisando "entupir" de açúcar e gordura hidrogenada pra tornar mais barato e durável, apenas um toque basta pra cumprir função técnica.

Vamos à receita:

Passo 1: Faça uma polentinha bem grossa com 1,5 cs (colher de sopa) de fubá mimoso e 100 ml de água. (com essa polentinha, não será preciso adicionar um monte de óleo pra ficar macio!)

Passo 2: Bata 9 claras de ovos até obter picos firmes. (isso garante a estrutura do bolo)

Passo 3: Misture 110 g de fubá mimoso (aprox. 1 xícara), 55 g de açúcar demerara (aprox. 2,5 cs bem cheias), 14 g de fibra de soja (aprox. 2 cs rasas), 12 g de fermento em pó químico (aprox. 2 cs rasas), 5,5 g de erva doce (aprox. 1 cs rasa), 9 pacotinhos/sachês de qualquer adoçante de mesa (se for à base de aspartame, uns 12, pois o aspartame perde seu efeito edulcorante sob o calor do forno).

Passo 4: Misture 34 g de óleo (aprox. 3 cs rasas) de preferência de milho, girassol ou canola com 2 g de lecitina de soja (aprox. 1 cc - colher de chá).

Passo 5: Acrescente a mistura de óleo e a polenta às claras em neve com a batedeira ainda ligada e depois incorpore também a mistura seca mexendo delicadamente .

Passo 6: Coloque em assadeira limpa (não precisa untar) e asse em forno baixo por uns 20 minutos ou até que um palito espetado no centro saia seco.

Esta receita rende 2 bolinhos no tamanho "bolo de forma" de 240 g, com o total de 8 porções de 60 g cada e a seguinte composição nutricional (por porção): 127 calorias (6% VD); 17 g carboidratos (6% VD); 4,2 g proteínas (9% VD); 4,3 g gorduras (8% VD); 1,2 g fibras (5% VD).

(obs.: Tanto a fibra quanto a lecitina de soja podem ser encontrados em casas de produtos naturais.)

Puxa! Onde já se viu um bolo de fubá com fibras e que "custe" só 6% do valor diário de carboidratos, fornecendo ao mesmo tempo 9% das proteínas necessárias? E ainda tem quase zero de gordura saturada e nada de gordura trans, tudo isso com cerca de 30% a menos de calorias que os industrializados normais. Vale a pena conferir.

E então, gostou da receita? Faça seu comentário à vontade. E por favor nos informe se você testar.

Sem tempo para fazer em casa? Terá problemas com a sobra de gemas? Precisa que seja totalmente sem açúcares? www.clarisalimentos.com.br. Lá o bolinho de fubá, além de sem açúcar, ainda é adoçado com sucralose, o adoçante mais moderno e gostoso disponível.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Sua Excelência, a Baunilha

Essa imagem é a de uma flor de baunilha... Bonita, não?

Pois certa vez ouvi de um aprendiz de feiticeiro (ops, confeiteiro), que o cheiro de baunilha, era o verdadeiro cheiro do chocolate.

E pra quem ainda não sabia, nossa contribuição: a baunilha autêntica evoca lembrança de chocolate, simplesmente porque as deliciosas barras ao leite, no mundo inteiro, são aromatizadas com baunilha, ou vanilina, que é o nome da sua substância aromática.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Um também filósofo

Recebi outro dia uma citação de Albert Einstein que me pareceu bastante aderente ao espírito desse blog. Transcrevo-a sem pudores:

“A democratização da ciência é de grande interesse se proceder de uma boa fonte. Ao se procurar simplificarem as coisas, não se devem deformá-las. A democratização tem de ser fiel ao pensamento inicial. (...) a sociedade torna possível o trabalho dos sábios, alimenta-os. Tem, pois, por seu lado, o direito de lhes pedir uma alimentação digestiva...”

É claro que o cientista estava falando de “alimentação intelectual”. Mas aproveito o mote para falar um pouquinho de digestão sob o título "Intestinos preguiçosos: isso é coisa que botaram na sua cabeça".

Intestinos preguiçosos: isso é coisa que botaram na sua cabeça.

Há pouco um amigo me disse que “meu intestino e eu somos dois preguiçosos.” Fiquei indignada. Pra mim isso soa algo como “sem advogado não se faz justiça”. rs. Você aí, acredita em “intestinos preguiçosos”?

Bem, tratei de juntar umas idéias e passo a oferecê-las aqui nesse espaço. Fugindo, é claro, de questões psicanalíticas e médicas – como as tratadas em http://www.hidrocolon.com.br/doencas.php – que, obviamente, não são a minha “praia”. Também não vou tratar sozinha sobre os efeitos de uma digestão difícil e lenta sobre a saúde geral. Mas acredite, não são nada bons. E o pior é que quase ninguém fala disso.

Chama-se constipação quando a matéria fecal permanece por muito tempo no cólon – a maior seção do intestino grosso, responsável pela extração de água das fezes – e suas principais causas dietéticas são a prevalência de alimentos refinados ou beneficiados, consumo insuficiente de líquidos, suplementação de ferro e uso excessivo de laxantes. Daqui em diante, todo mundo “tá careca de saber” que uma alimentação com alto teor de fibras pode prevenir e tratar constipação. E que isso pode ser conseguido através de frutas e hortaliças frescas, legumes, cereais e pães integrais, farelos, sementes, ameixa, blá, blá, blá.

O que pouca gente lembra é que só fibras não bastam: tem que consumí-las junto com água para que formem um bolo macio, sendo que a água que se “liga” a elas, o cólon não “resseca”. Então aquela barrinha de cereais, consumida sozinha no lanchinho da tarde, não vai fazer milagre nenhum pra você. Já um chuchu... ;-). É disso que acusam os alimentos refinados, beneficiados, processados: se a vida moderna ganhou em facilidade, perdeu em equilíbrio.

Outra coisa que quase ninguém diz é que consumir fibras em demasia empobrece a alimentação e, se por um lado melhora o funcionamento do intestino - e além disso impede ou retarda a absorção de colesterol e açúcares - também atrapalha a absorção de cálcio, magnésio, ferro e zinco (ossos, sangue e anti-stress) naturalmente presentes numa alimentação equilibrada. Portanto, nada de exageros! (continua...)

O Valor Diário de Referência

(continuação...)

Não é à toa que todo rótulo de produto alimentar traz uma coluninha na tabela de informação nutricional chamada “% VD”. Você já reparou? Pois é, também quase ninguém presta atenção nela! Por ali a gente identifica facilmente os alimentos nutricionalmente desequilibrados. Isso só pra falar do básico – carboidratos, proteínas, gorduras e fibras – sem nem entrar no mérito se são adequados em vitaminas e minerais. Mas vamos ao VD (valor diário de referência), e se você quiser mais informações a respeito dele, escreva um comentário aqui pra gente preparar um material especialmente dedicado a esse assunto.

Quando um alimento traz no rótulo, por exemplo, que uma de suas porções fornece 20% do VD de fibras – uau! - isso significa que, para uma “pessoa média”, o total de fibras fornecidas por 5 porções desse alimento, é o suficiente para 1 dia. Isso nos dá uma noção do que seria uma ingestão razoável de fibras. Nem muito mais, nem muito menos. E creio mesmo que tais informações prestam um serviço inestimável à sociedade do ponto de vista da saúde pública. Resta-nos educar-nos para melhor utilizá-las.

O assunto continua nas próximas postagens. Há muito ainda o que falar sobre fibras e o que a indústria tem feito pra reverter a baixa disponibilidade delas na alimentação. Até lá.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

Aposto que você não consegue comer 3 bolachas cream cracker em menos de 30 segundos.

Eu topei a aposta. Perdi e fiquei inconformada. Eu, que estava acostumada a comer uma caixa de bombons em uma tarde, fui vencida por 3 míseros biscoitinhos cream cracker. Demorei para entender o porquê. A explicação que recebi foi de que não conseguimos produzir saliva suficiente para umidecer e poder engolir 3 biscoitos nesse tempo. Eu não consigo e ninguém consegue.

A cream cracker é muito sequinha, é por isso que ela dura tanto tempo sem estragar. Existe um limite de umidade abaixo do qual microorganismos não conseguem crescer. Normalmente percebemos que o alimento estragou porque azedou, mudou de textura, de cor, coisas que podem ser derivadas do crescimento microbiano. Fiquei imaginando um exército de fungos ou bactérias loucas pra digerir um biscoito cream cracker e experimentando a mesmo sufoco que eu, incapacidade total de engolir aquele monte de farinha seca.

Isso, secar o alimento, é uma estratégia muito usada para preservá-los. Frutas frescas estragam rápido, possuem cerca de 80% de umidade. Verduras têm 90% de umidade, Carnes têm aproximadamente 60% . Cereais crus duram mais, têm só uns 10 a 15% de água, mas ninguém come arroz, feijão ou ervilha crus e secos.

Secar o alimento é uma forma de concentrar seus nutrientes. Normalmente ele fica duro e difícil de digerir, porém não é o caso da bolacha cream cracker. Elas estão cada vez mais sequinhas e crocantes, não perdem a crocância nem se o pacote ficar meio aberto, e o truque é conseguir a atividade de água correta no produto final. O caso é que ao comermos essas bolachinhas, a digestão começa na boca, a saliva já vai dissolvendo o amido e em uns vinte minutinhos ele já estará disponível em nosso sangue. Fácil e Rápido.

As ditas bolachinhas são feitas basicamente de farinha de trigo, gordura vegetal, açúcar e sal. Ou seja, são feitas de outros alimentos refinados, purificados e concentrados. Considerando a pureza dos ingredientes não podemos esperar encontrar muitas vitaminas ou minerais, a menos é claro que estes sejam adicionados nas fábricas. São também muito fáceis de digerir, não pesam no estômago e trazem consigo uma grande quantidade de energia.

É ai que mora o problema. Sempre quis saber o que fazem estas singelas bolachinhas em quase todas as dietas de emagrecimento. Elas não me parecem ser uma forma eficiente de matar a fome sem fornecer muitas calorias, (SIM! Eu PRECISO de quantidade.) nem são capazes de criar uma sensação de saciedade duradoura e ainda por cima não ajudam no suprimento de vitaminas e minerais.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Novo Blog DoceClaris - por Claudia e Isabel

Olá! Este é o primeiro post do blog DoceClaris. Um espaço de discussão a respeito de bem estar e alimentação. Queremos falar um pouco de nossa experiência desenvolvendo produtos, procurando novos ingredientes e aplicações e principalmente conversando, conversando com vocês, pessoas que vieram até nossa loja e nos trouxeram dúvidas e soluções surpreendentes.

Cada vez mais acreditamos que a saúde é uma conquista e não uma dádiva, que a maioria das doenças não acontecem por acaso, não são prêmios de uma loteria infeliz que escolhe aleatoriamente seus ganhadores. Podemos nos tornar pessoas mais saudáveis, mais bem dispostas, animadas e felizes. Precisamos conhecer nosso corpo, respeitar nossas predisposições genéticas, forças e fraquezas individuais e criar, cada um, a sua própria receita de saúde. Uma boa receita de bem estar inclui alimentação, atividade física, adequação da carga de trabalho a que nos submetemos, postura mental diante dos acontecimentos da vida e assim por diante.

Embora a alimentação não seja o único ingrediente desta receita, é sem dúvida um componente indispensável, afinal os alimentos são a matéria prima de nosso corpo e não se pode obter um bom resultado a partir de máterias-primas ruins. Além disso não podemos esquecer que comer é uma DELÍCIA, e conhecer melhor nosso alimento nos permite manter e cultivar o prazer de se alimentar sem comprometer a saúde. Há quem diga que tudo que é bom faz mal. Estamos certos de que isso não é verdade e nosso desafio é tornar mais simples comer bem e com muito prazer.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007